O
horário previsto de saída era 8 da manhã, isto porque o café começava às 7:30.
Entretanto, as 8 a movimentação de saída ainda é tímida, o que faz Nelson, com
a moto já ligada, parar no estacionamento e cruzar os braços mostrando sua
insatisfação. Hoje a etapa são “ apenas “ 590 km mas o Chile está em estado de
guerra e Santiago, por onde devemos passar é um dos locais mais atingidos.
O
plano original previa um pernoite em Santiago. Porém, a alguns dias atrás,
antes das manifestações, já tínhamos decidido passar de Santiago e parar em Los
Andes, isso devido a logística de conseguir estacionar em cidade maiores. Os
protestos, que acontecem não apenas em Santiago, só serviram para reforçar a
nossa intenção.
Saímos
em direção ao posto de gasolina, para abastecer e sacar dinheiro, já que não
sabemos se vai haver combustível e assim como ontem tem muitos pedágios pelo
caminho. Mantemos a mesma combinação de ontem: ao chegar no pedágio, o pace car
ultrapassa as motos e paga para todos.
O
começo do dia, com temperatura de 15 graus, nublado e uma highway muitíssimo
bem conservada, a viagem chega a ser monótona. Depois de abastecer e tomar um
café a viagem continua tranquila, tendo como único incidente a lanterna da BMW
soltou-se ( por sorte ficou pendurada pelo fio) e tivemos que parar para fixar
a lanterna.
Ao
aproximarmos de Santiago, observamos vários postos de gasolina com fila.
Paramos em posto ( com fila) uns 50 km antes da cidade. A ideia era ter
autonomia para chegar a Los Andes.
Continuamos
na highway rota 5. Entretanto, ao entrarmos na área da grande Santiago, os
pedágios passam a ser exclusivamente por tag, sem a opção de pagamento manual.
Não tínhamos o tag pois em nenhum lugar havia a esta informação. Na dúvida
sobre o que fazer, saímos da highway para discutir nossas opções.
Entrar
no centro de Santiago não era uma opção. Continuar na rota 5 era passível de
multa. Perguntamos para um morador e este nos disse que poderíamos pegar a Gran
Via, avenida que cruza Santiago de sul a norte, sem entrar na cidade. Parecia
uma boa opção.
O
problema é que as manifestações já tinham se espalhado muito além do centro.
Passamos por vários cruzamentos onde pneus haviam sido queimados (
provavelmente em protestos ontem) e muitas lojas haviam sido depredadas.
Chegamos
em um ponto onde a situação estava tensa. A manifestação estava na rua e os
vândalos estavam quebrando e saqueando lojas. Vendo a deterioração das
condições , tomamos a decisão de fazer meia-volta e retornar para a highway. A
manobra de retorno foi repentina, o que dificultou a manobra das motos. Ainda
assim, todos conseguiram fazer a manobra e continuar seguindo para a highway.
Uma
nova decisão foi tomada: voltar para a highway e esquecer os pedágios. Se
tomarmos multa, pagamos. O país está em estado de sítio e a segurança dos
participantes da expedição é muito mais importante do que uma possível multa.
Na
ruta 5, a viagem volta ao normal. Em alguns pontos vemos sinais da manifestação
ocorrida nos últimos dias porém a estrada não tem nenhum bloqueio.
Los
Andes fica no começo da cordilheira. Para chegar passamos uma pequena serra e
um túnel. Assim que entramos na cidade, encontramos um posto de gasolina com
fila e as motos param para abastecer.
Os
carros continuam para o hotel e ao chegarem se deparam com uma cidade que
parece fantasma: Praticamente todo o comércio fechado em função dos protestos.
Tem apenas um bar na esquina do hotel aberto. Vamos ao bar e compramos
sanduíches e cervejas para levar para o hotel pois são 6:20 da tarde e daqui a
40 minutos tem o toque de recolher.
Apesar
da boa estrada e estrutura do país, a informação de pedágio é medieval. Isto
somado ao estado de sítio fez esta etapa que seria simples se tornar a mais
tensa até agora. As motos estão abastecidas e os carros também. Amanhã é dia de
cruzar a cordilheira dos andes, rumo a Mendonza.