Thursday, October 17, 2019

Lós Angeles -Lós Andes





O horário previsto de saída era 8 da manhã, isto porque o café começava às 7:30. Entretanto, as 8 a movimentação de saída ainda é tímida, o que faz Nelson, com a moto já ligada, parar no estacionamento e cruzar os braços mostrando sua insatisfação. Hoje a etapa são “ apenas “ 590 km mas o Chile está em estado de guerra e Santiago, por onde devemos passar é um dos locais mais atingidos.

O plano original previa um pernoite em Santiago. Porém, a alguns dias atrás, antes das manifestações, já tínhamos decidido passar de Santiago e parar em Los Andes, isso devido a logística de conseguir estacionar em cidade maiores. Os protestos, que acontecem não apenas em Santiago, só serviram para reforçar a nossa intenção.

Saímos em direção ao posto de gasolina, para abastecer e sacar dinheiro, já que não sabemos se vai haver combustível e assim como ontem tem muitos pedágios pelo caminho. Mantemos a mesma combinação de ontem: ao chegar no pedágio, o pace car ultrapassa as motos e paga para todos.

O começo do dia, com temperatura de 15 graus, nublado e uma highway muitíssimo bem conservada, a viagem chega a ser monótona. Depois de abastecer e tomar um café a viagem continua tranquila, tendo como único incidente a lanterna da BMW soltou-se ( por sorte ficou pendurada pelo fio) e tivemos que parar para fixar a lanterna.

Ao aproximarmos de Santiago, observamos vários postos de gasolina com fila. Paramos em posto ( com fila) uns 50 km antes da cidade. A ideia era ter autonomia para chegar a Los Andes.

Continuamos na highway rota 5. Entretanto, ao entrarmos na área da grande Santiago, os pedágios passam a ser exclusivamente por tag, sem a opção de pagamento manual. Não tínhamos o tag pois em nenhum lugar havia a esta informação. Na dúvida sobre o que fazer, saímos da highway para discutir nossas opções.

Entrar no centro de Santiago não era uma opção. Continuar na rota 5 era passível de multa. Perguntamos para um morador e este nos disse que poderíamos pegar a Gran Via, avenida que cruza Santiago de sul a norte, sem entrar na cidade. Parecia uma boa opção.

O problema é que as manifestações já tinham se espalhado muito além do centro. Passamos por vários cruzamentos onde pneus haviam sido queimados ( provavelmente em protestos ontem) e muitas lojas haviam sido depredadas.

Chegamos em um ponto onde a situação estava tensa. A manifestação estava na rua e os vândalos estavam quebrando e saqueando lojas. Vendo a deterioração das condições , tomamos a decisão de fazer meia-volta e retornar para a highway. A manobra de retorno foi repentina, o que dificultou a manobra das motos. Ainda assim, todos conseguiram fazer a manobra e continuar seguindo para a highway.

Uma nova decisão foi tomada: voltar para a highway e esquecer os pedágios. Se tomarmos multa, pagamos. O país está em estado de sítio e a segurança dos participantes da expedição é muito mais importante do que uma possível multa.

Na ruta 5, a viagem volta ao normal. Em alguns pontos vemos sinais da manifestação ocorrida nos últimos dias porém a estrada não tem nenhum bloqueio.

Los Andes fica no começo da cordilheira. Para chegar passamos uma pequena serra e um túnel. Assim que entramos na cidade, encontramos um posto de gasolina com fila e as motos param para abastecer.

Os carros continuam para o hotel e ao chegarem se deparam com uma cidade que parece fantasma: Praticamente todo o comércio fechado em função dos protestos. Tem apenas um bar na esquina do hotel aberto. Vamos ao bar e compramos sanduíches e cervejas para levar para o hotel pois são 6:20 da tarde e daqui a 40 minutos tem o toque de recolher.

Apesar da boa estrada e estrutura do país, a informação de pedágio é medieval. Isto somado ao estado de sítio fez esta etapa que seria simples se tornar a mais tensa até agora. As motos estão abastecidas e os carros também. Amanhã é dia de cruzar a cordilheira dos andes, rumo a Mendonza.


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